do alto de uma duna, no deserto mais árido do mundo, era possível delirar: estamos na lua! grandes crateras se misturam a montanhas de pedras e não há vestígios de civilização humana.
só que o homem ainda não colonizou a lua, e como se pode perceber na foto, há uma estrada que atravessa essas montanhas.
não fosse por esse detalhe, o mochileiro que chega ao valle de la luna, um dos tantos vales que compõem a geografia do atacama, poderia mesmo imaginar que estava na lua. o entardecer reforça ainda mais essa percepção. não é por acaso que o vale tem este nome. o cenário é desolador e fascinante.

fomos levados até o valle de la luna por juan, o dono do hostal jama e nosso guia particular (mediante uma certa negociação, claro).
sinceramente, não tínhamos ideia do que iríamos encontrar. ele nos explicou que o nome do vale é esse justamente pela semelhança com a lua, e que era um bom lugar para contemplar. contemplar a imensidão do deserto, a noite caindo e o dia se pondo. a vida na sua forma mais natural… 
a melhor visão obtida no vale é em cima das dunas. para chegar até elas, é necessário uma caminhada desgastante de quase uma hora. o vento forte que sopra no atacama joga areia e pedaços de pedra nos olhos, e é preciso muitas vezes colocar uma manta no rosto para não ficar com a pele cortada.
antes de chegar até o topo, fizemos uma parada para conhecer o famoso dinossauro de pedra, um amontoado de rochas formado há milhares de anos que tem a forma de um dinossauro. esta imagem, feita por juan, tem o poder de ser uma dessas imagens eternas, definitivas, que resumem um momento da vida de cada um de nós.

empreendemos a caminhada até o topo da duna e nos quedamos contamplando, cada um da sua maneira. em determinado momento, a lua ficou na mesma posição do sol, que dava adeus ao dia e abria espaço para a noite.
as pedras mudavam de cor conforme a terra girava, as estrelas iam lentamente tomando os seus assentos e logo em seguida o pôr-do-sol explodiu no horizonte e anunciou que deveríamos ir embora, pois a noite, soberana no deserto, não tolera a presença de humanos...

