um conto triste

a repórter da revista época eliane brum, que é gaúcha e já trabalhou na zero hora, tem a capacidade de chocar os leitores. você pode estar dizendo “tá, e daí, hoje em dia qualquer um pode fazer isso”. é verdade, desde que apele para outros recursos, como imagens ou vídeos sensacionalistas, por exemplo.

só que a eliane brum choca apenas com as palavras. ela é a melhor repórter brasileira, na minha opinião. sem querer ser mais influente, recomendo a leitura desta matéria. essa história surreal mais parece extraída de um conto ou filme. na visão da eliane brum, ela é um alerta real do quanto podemos perder deixando para amanhã o que pode ser resolvido agora.

sobre a amizade

viagens longas e desgastantes são cheias de inevitáveis percalços. não é fácil conviver durante semanas com as mesmas pessoas. aos poucos, a personalidade de cada um vai sendo revelada de uma forma verdadeira. nos momentos de irritação e dificuldade, você percebe que as reações são diferentes, e isso, às vezes, causa estranheza. os conflitos, então, acontecem. saber lidar com o stress é fundamental. não existe certo e errado, apenas pontos de vista divergentes.

se é difícil ficar numa boa com duas ou três pessoas, imagine com oito! e oito pessoas com personalidade, atitude, vontade de viver… no deserto do atacama, já estávamos um pouco mais maduros com relação à nossa própria convivência. tínhamos cruzado duas fronteiras, dormido em lugares ruins, ficado muito tempo dentro dos carros…

no valle de la luna, algo se definiu. ao subir a duna e contemplar o cenário fantástico do vale, nos tocamos que havíamos virado uma página, subido um degrau duma trilha que se revelava nova e excitante a cada dia. o sandália, que tem um olhar muito apurado para a fotografia, sugeriu que ficássemos no alto da duna e juan nos capturasse contra a luz. juan pediu que cada um se unisse, e o resultado vocês podem conferir abaixo. para mim, a foto mais marcante da viagem. neste instante, cada um voava para longe e se sentia mais vivo…

mauricio, filetta, thomas, sandália, manu, nanico, clá e fernando

observando a imprensa

hoje estava navegando pela internet e me ocorreu colocar o meu nome no google para saber se não havia nenhuma bizarrice deste blogueiro circulando pela rede… me surpreendi, e muito, quando vi que um artigo de 2007 está publicado no site observatório da imprensa.

o observatório é um site criado por alberto dines, o veterano repórter que lutou contra a ditadura e hoje luta contra a pobreza da mídia. entre os seus colaboradores estão jornalistas renomados e críticos de mídia, além de acadêmicos e estudantes que desejam colaborar.

em 2007, fiz um artigo sobre a polêmica que girava em torno da criação de um conselho federal para o jornalismo. continuo defendendo que ele seja criado, pois esta profissão precisa ser melhor controlada. não me refiro a controle ideológico ou censura. trata-se de profissionalismo. nós, jornalistas, estamos nas mãos de poucos clãs que ditam as normas conforme os seus interesses. isso tem que mudar. a mídia não pode ser privilégio de pequenos grupos. para quem quiser ler o artigo, clique aqui.

quem sou eu?

se queres saber quem eu sou,
observe os meus versos.
parto da raiz dos sentimentos.
algumas vezes melancólicos,
outras enervecidos.
em comum, a tinta
como extensão do coração.
as tradições e as rimas,
oh! privilégio dos mestres…
tento rimar com a complexidade
do que sou.
por isso, ao fim, ordeno
meus versos na lógica
do caos organizado
entre os dissabores do ser.

na lua

do alto de uma duna, no deserto mais árido do mundo, era possível delirar: estamos na lua! grandes crateras se misturam a montanhas de pedras e não há vestígios de civilização humana.valle de la luna, deserto do atacama / mauricio tonetto

só que o homem ainda não colonizou a lua, e como se pode perceber na foto, há uma estrada que atravessa essas montanhas.

não fosse por esse detalhe, o mochileiro que chega ao valle de la luna, um dos tantos vales que compõem a geografia do atacama, poderia mesmo imaginar que estava na lua. o entardecer reforça ainda mais essa percepção. não é por acaso que o vale tem este nome. o cenário é desolador e fascinante.

valle de la luna, deserto do atacama / mauricio tonetto

fomos levados até o valle de la luna por juan, o dono do hostal jama e nosso guia particular (mediante uma certa negociação, claro).

sinceramente, não tínhamos ideia do que iríamos encontrar. ele nos explicou que o nome do vale é esse justamente pela semelhança com a lua, e que era um bom lugar para contemplar. contemplar a imensidão do deserto, a noite caindo e o dia se pondo. a vida na sua forma mais natural… valle de la luna, deserto do atacama / mauricio tonetto

a melhor visão obtida no vale é em cima das dunas. para chegar até elas, é necessário uma caminhada desgastante de quase uma hora. o vento forte que sopra no atacama joga areia e pedaços de pedra nos olhos, e é preciso muitas vezes colocar uma manta no rosto para não ficar com a pele cortada.

antes de chegar até o topo, fizemos uma parada para conhecer o famoso dinossauro de pedra, um amontoado de rochas formado há milhares de anos que tem a forma de um dinossauro. esta imagem, feita por juan, tem o poder de ser uma dessas imagens eternas, definitivas, que resumem um momento da vida de cada um de nós.

o dinossauro de pedra no deserto do atacama

empreendemos a caminhada até o topo da duna e nos quedamos contamplando, cada um da sua maneira. em determinado momento, a lua ficou na mesma posição do sol, que dava adeus ao dia e abria espaço para a noite.

as pedras mudavam de cor conforme a terra girava, as estrelas iam lentamente tomando os seus assentos e logo em seguida o pôr-do-sol explodiu no horizonte e anunciou que deveríamos ir embora, pois a noite, soberana no deserto, não tolera a presença de humanos...

uma pausa para contemplar as estrelas / felipe viarodo alto da duna se contempla melhor / fernando teixeira

em breve…

novos posts do mochilão pela américa! blog recarregando as baterias…

 

dizes que sou um nômade

em matéria de sentimentos.

pois, então, lhe pergunto:

o que sentias ontem é o mesmo

que sentes agora?